REALIDADE SURDA E SUAS VERTENTES NUMA SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM

por :Vanda Aparecida de Góes


Relatorio de estágio Supervisionado.

A educação especial para Deficientes Auditivos assume, a cada ano, importância maior, dentro da perspectiva de atender às crescentes exigências de uma sociedade em processo de renovação e de busca incessante da democracia, que só será alcançada quando todas as pessoas, indiscriminadamente, tiverem acesso a informação, ao conhecimento e aos meios necessários para a formação de sua plena cidadania. Já que a educação especial para D.A.em seu primeiro momento caracterizava se pela segregação e exclusão, logo os portadores de necessidades especiais eram simplesmente ignorados, evitados, abandonados ou encarcerados e muitas vezes eliminados. Após a evolução histórica, a educação especial até 1990, passou a ser vista de um outro modo após o evento que formalizou a “educação para todos” como plataforma básica para o sistema educacional, segundo a proposta na *Declaração de Salamanca (UNESCO, 1994), que levanta aspectos do contexto brasileiro a serem considerados na adoção e na implantação do processo de inclusão.Por mais paradoxais e contraditórios que possam parecer, esses aspectos vêm se refletindo conjuntamente nos sistemas educacionais muito embora esses reflexos gerem conseqüências inevitáveis para a educação especial dos D. A. já que a humanidade prima pela igualdade de valores dos seres humanos e, pela garantia dos direitos entre eles. Por outro lado, essa mesma humanidade exclui de um ritmo de produção cada vez mais vital à crescente competitividade, pela dificuldade de exercer o pleno dever de cidadão de uma humanidade trabalhadora, produtiva, participativa e contribuinte. Emergem, assim, a necessidade de indivíduos-cidadãos, sabedores e conscientes de seus valores, direitos e deveres. Portanto a inserção de todos num programa educacional flexível que possa abranger o mais variado tipo de alunado e oferecer o mesmo conteúdo curricular sem perda da qualidade do ensino e da aprendizagem. IDENTIFICAÇÃO DO CAMPO DE ESTÁGIO: Ao longo do curso foi possível absorver um considerável cabedal teórico sobre as práticas pedagógicas existentes dentro do contexto do ensino para portadores de D.A. Pelo contato direto com o estagio pude observar, em função das atividades profissionais exercidas, foi possível constatar uma considerável diferença entre o funcionamento da sala regular de ensino para com a sala de recursos especiais para o portador de D.A. Daí a iniciativa de conhecer melhor o órgão e suas peculariedades.O estágio foi realizado dentro de sala de recurso, que tem por finalidade planejar, coordenar e executar as atividades de caráter pedagógico no âmbito da U.E. Sendo possível promover a integração e a interação das crianças D.A. com a s demais salas da Instituição Ensino.Também, promover estudos, traçar metas e diretrizes, fazer cumprir as normas da LDB /96 , assim também como dos PCNS, executar outras atividades a que forem atribuídas na área de competências como reza o artigo;
(...) Constituição Federal de 1988 traz como um dos seus objetivos fundamentais, “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação” (art.3º inciso IV). Define, no artigo 205, a educação como um direito de todos, garantindo o pleno desenvolvimento da pessoa, o exercício da cidadania e a qualificação para o trabalho. No seu artigo 206, inciso I, estabelece a “igualdade de condições de acesso e permanência na escola” , como um dos princípios para o ensino e, garante, como dever do Estado, a oferta do atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular de de ensino (art. 208 )
MOTIVO DA ESCOLHA DO ESTÁGIO :A principio, objetivava-se, a realização do estágio em salas regulares de ensino em que houvesse alunos D.A. inseridos, considerando a importância do profissional como ator na consecução da missão, valores , princípios e objetivos de seu trabalho pedagógico. No entanto, por se perceber que havia um vasto material para pesquisa e que este seria relevante para posteriores estudos , houve também um interesse me fazer estudo d e campo , em Instituições, salas de recursos especificas para D.A, centro de apoio pedagógico e comunidades online.
OBJETIVOS ; O objetivo geral desse relatório, é mostrar o funcionamento de diferentes formas de construção pedagógica , dentro de uma Instituição , tentando compreender as razões que fazem com que um professor especializado em sua área possui tantas diferenças qualitativas no cumprimento de sua função. Evidentemente tem que se atentar para as diferenças intrínsecas entre os planejamentos escolares e suas grades curriculares de modo a evitar conclusões errôneas.Os objetivos são:
a) Descrever rotinas e práticas na U. E.
b) Traçar paralelos entre essas práticas e as que foram ensinadas durante a Especialização
c) Apontar possíveis sugestões para melhoria
 Corpo Discente : A clientela da instituição campo de estágio é composta por alunos de classe social média baixa, que residem em bairros adjacentes à instituição , outros que optaram para estudar nessa Instituição que está localizada próximo o centro da cidade. Muitos destes necessitam de transporte escolar para chegar à escola. Já no turno noturno, a clientela é de filhos de população assalariada, trabalhadores assalariados, pais e mães que, depois de um dia exaustivo de trabalho, largam o conforto do lar para irem à escola.
DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS NAS- SALAS DE ENSINO REGULAR
Planejamento :Construído no início do ano, o Projeto Político Pedagógico se encontra com a direção à disposição dos professores e também da comunidade. O Planejamento Anual indica as diretrizes da relação dos conteúdos, objetivos e metodologias para a execução de cada disciplina. O Plano de Unidade é elaborado no inicio do ano letivo e avaliado a cada semestre , elaborou-se o planejamento para U. E. com a orientação dos coordenadores, participação dos professores e da direção. Foi um momento de reflexões sobre a prática educativa e onde se fez questionamentos em relação aos altos índices de evasão escolar característicos do turno da noite, suas origens e motivações.. Os projetos desenvolvidos não possuem nenhum registro de elaboração, apenas constada nos diários e poucos são os relatórios realizados pelos docentes. Em conversa com alguns docentes ficou claro a dicotomia entre a ferramenta do Plano de Curso e a aplicação de projetos alheios às disciplinas afins e sua aplicação questionável.Durante o planejamento trabalhou-se somente os conteúdos específicos à cada área, mas sem nenhuma menção aos recursos a serem utilizados e como seriam utilizados, como também, as referências bibliográficas consultadas .Apesar de não existir livro didático com especificidade para Educação de D.A., os livros existentes são poucos utilizados pelos professores. Nas sala não existem recursos visuais, além do quadro de giz.
DESCRIÇÃO DA SALA ADAPTADAS PARA D.A.:Nesta Instituição para que houvesse inclusão foi realizado um remanejamento alunos com déficit de audição de outras salas para uma sala que possuía menor números de alunos ouvintes, sendo este procedimento fundamentado em artigo de Lei Constituinte. Essa sala funciona no período matinal.A sala possui um grande quadro negro para aplicar instruções pedagógicas, as paredes foram recentemente pintadas, carteiras em números suficientes á demanda , armários, cadernos de exercícios emitidos pelo MEC. Ainda esta sala possui uma professora Intérprete de Língua de Sinais e Códigos , que permanece na sala , planeja, orienta e transmite as matérias curriculares usando o bilingüismo , para facilitar a aprendizagem dos D.A.Nesta sala são ensinado o bilingüismo, sendo primeira a Língua de Sinais e por segunda língua a Língua Portuguesa .Essa sala tem por meta, relacionar sinais com grafia e fonemas com semântica , de acordo com as regras gramaticais utilizadas pelo ensino de LIBRAS. Orientar e subsidiar o trabalho elaborado em sala de ensino regula , possibilitando o individuo D. A. prosseguir com seus estudos para sua plena .São oferecidos diversas formas de recursos, tipo; revistas, jornal, figuras, desenhos, imagens , DVD, que facilitem o processo d e aprendizagem para crianças em fase de construção pedagógica, ainda, a direção da eminente Instituição de Ensino esta vendo a possibilidade de criar uma sala de recursos, onde os docentes e discentes contariam com apoio pedagógicos para as suas respectivas funções em exercícios.
Planejamento :Também construído no início do ano, o Projeto Político Pedagógico se encontra com a direção à disposição dos professores e também da comunidade. O Planejamento Anual indica as diretrizes da relação dos conteúdos, objetivos e metodologias para a execução de cada disciplina . O Plano de Unidade é elaborado juntamente com o corpo docente e com supervisores da área de ensino Municipal, reavaliado e observado a cada final de cada semestre ,com a orientação dos coordenadores, participação dos professores e da direção. Foi um momento de questionamentos sobre novas práticas e expectativas para o avanço dos alunos com D.A. O seu principal objetivo é desmistificar a conduta e a forma de aprendizagem que o aluno que possui déficit de audição vem sendo olhado pela sociedade e por profissionais que se sentem incapacitados para serem mediadores d e conhecimentos específicos ao alunos em questão. Para estes fins , a Diretoria de Ensino de Presidente Prudente tem procurado capacitar seus profissionais docentes que possuem esses alunos, disponibilizando cursos em horários diferentes de sua carga horária , para que o professor possa ter conhecimentos sobre essa nova demanda.
ATIVIDADES DESENVOLVIDAS EM CADA DISCIPLINA DURANTE O PERÍODO DE ESTÁGIO
REGÊNCIA: INTERDISCIPLINA
TEMA: MÚSICA EU SEI
OBJETIVO: Trabalhar intrísecamente todos as propostas pedagógicas, levando em consideração o bilingüismo, comunicação , cultura surda. E que todos os alunos da classe se expressassem em LIBRAS e que houvesse uma interiorização dos conhecimentos necessários para se identificarem com a inclusão.
MATERIAl : foi utilizado uma música popular brasileira extraída da Internet do blog profº Luiz Vieira de Carvalho Neto .O material foi xerocado e dado uma cópia da música para todos os alunos.
PERFORMANCE UTILIZADA: O fator decisivo para se trabalhar uma música, foi que os jovens gostam muito de cantar e de dançar, e que a música e a dança sempre esta presente em todas as comunicações , e pode ser trabalhada em diversas áreas para não se dizer em todas. A música foi sempre ensaiada nos finais das aulas, os professores de diferentes disciplinas , utilizaram a musica como material interdisciplinar contando ponto pela dedicação dos alunos.
AVALIAÇÃO: Anota foi dada pelo desempenho, esforço, criatividade, interação, participação e sobre tudo pela consciência da importância da inclusão desenvolvido entre os amigos em sala de aula.
ALVOS ALCANÇADOS: o principal alvo foi o conhecimentos das divergências culturais, físicas e espacial , pelos alunos , que ficaram muito motivados a buscar conhecimento sobre varias formas de descriminação, e que podemos sempre mudar a nossa realidade e principalmente a realidade de nossos amigos exclusos
CONSIDERAÇÕES FINAIS:Todas as etapas do Estágio Supervisionado foram importantes e enriquecedoras, mas nenhuma delas se compara aos momentos mágicos vividos numa sala de aula que, apesar da pequena quantidade de alunos, requereu muito do estagiário. Encarar frente a frente toda a dialética educacional, os problemas, como atrasos, o cansaço visível na face da maioria dos alunos, pois, muitos chegam a cochilar em alguns momentos da aula.Além disso, foi muito prazerosa a troca de conhecimentos, a atenção que disponibilizaram cada um do seu jeito, para melhor compreensão dos assuntos e dos temas abordados, embora uma pequena parte, ou seja, dois (02) ou três (03) alunos que em alguns momentos precisaram serem chamados a atenção.Pode-se também observar que o retorno foi satisfatório não apenas pelo aprendizado, pelos gestos de aceitação, pelo retorno dado a cada atividade aplicada em sala de aula, via-se que a recíproca era verdadeira, uma vez que os alunos participaram ativamente em cada momento , discutindo, prestando solidariedade para outros alunos que não eram deficientes auditivos , mas que tinham problemas de deficiência mental e o balanço do mesmo foi muito satisfatório. No começo os alunos ficaram meio desconfiados principalmente os meninos, uma vez que a professora estava sendo acompanhada de outra professora, e eles não entendiam muito do que se tratava e toda hora tinha um que queria saber o por que da presença em sala de aula.Iniciado os trabalhos e com o andamento das aulas foram adaptando-se à metodologia aplicada ao longo das aulas. Foram vinte dias de visita a sala de aula, eu entrava a s7 :00 horas da manha e saia as 11:30 , outros dia eu entrava as 7:00 e saia a s 12:020, na verdade eu senti mais aluna eu professora, porque precisava anotar as aulas para fazer registros das matérias e muitas vezes precisava pedir explicação para as professoras , principalmente a de matemática, que sempre muito atenciosa e espontânea me ajudava me explicando as complicadíssimas operações de Perímetro, Área, Decomposição.EU procurei elaborar aulas diferenciadas que despertassem a curiosidade e atenção dos mesmos; percebeu-se também o interesse cada vez maior, a interação com os assuntos abordados e a relação de amizade, a curiosidade por conhecer os sinais , sempre o carinho estava explícitos nas palavras de apoio, nos elogios e o carinho demonstrado nesse período. As atividades dadas em sala de aula, as pesquisas encomendadas foram realizadas com êxito por parte dos discentes, criou-se ainda, um laço afetivo muito forte, fato que proporcionou o sucesso no processo de ensino-aprendizagem bem como o reconhecimento do trabalho, empenho e profissionalismo de todos os professores empenhados nessa tarefa.No primeiro dia sempre dá um "frio na barriga", os olhares como quem diz: "já vem essa aí mudar tudo", assusta um pouco os alunos já acostumados com a didática do professor e a dinâmica das aulas ministradas, lembro quando um desses alunos disse: "porque es sala foi escolhida para ter alunos com deficiência" nos dias seguintes com a introdução dos assuntos e as dinâmicas aplicadas os alunos foram gostando do jeito diferenciado de passar as aulas e conseqüentemente aprendendo a matéria, percebi que aquele sentimento de que eles estavam sendo prejudicados pelos amigos com deficiência , ou ainda o sentimento de estarem naquela sala por serem alunos que como diziam eram “ atrasado” , foi perdendo força e houve uma troca valiossissíma , o sentimento de ajuda e cooperação para aqueles amiguinhos diferentes , o ajudou a crescer mais , a ter mais consciência de suas qualidades e fez com que a cooperação fizessem eles se sentirem orgulhosos de estar naquela sala ate então discriminada.
APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS
Analisando o Estágio Supervisionado, por meio de suas etapas, desde a observação passando pela co-participação até a sua culminância na regência, verificou-se quão complexo e cheio de por menores é a sua consumação, como a parte burocrática dos papéis (documentos), os planejamentos no e fora dele, planos diários, planos de ação, tudo isso torna-se um tanto complicado. É como juntar peças de um grande quebra-cabeça que é o estágio em toda a sua estrutura.Sua complexidade vai muito além de suas respectivas etapas e planos documentais. O balanço é bastante positivo levando em consideração experiência frente à ação docente. O resultado superou as expectativas uma vez que as partes envolvidas, professor-regente, alunos , saíram satisfeitos.Segundo Navarro (2000) as diversas temáticas envolvendo os estágios supervisionados, contribuem para uma base sólida para a formação dos profissionais da educação apesar das dificuldades, considerando que nem sempre os professores e estagiários tem clareza sobre os objetivos que orientam suas ações no contexto escolar e no meio social onde se inserem, sobre os meios existentes para realizá-los, sobre os caminhos e procedimentos a seguir, ou seja, sobre os saberes de referência de sua ação pedagógica, faz sentido investir no processo de reflexão nas e das ações pedagógicas realizadas nos contextos escolares (apud PIMENTA; LIMA, 2004).As atividades que articulam as ações pedagógicas são:
As interações entre professores, os alunos e os conteúdos educativos em geral para a formação do humano;
As interações que estruturam os processos de ensino-aprendizagem;As interações nas quais se atualizam os diversos saberes pedagógicos do professor e dos quais ocorrem os processos de reorganização e ressignificação de tais saberes. As autoras defendem uma nova postura, uma redefinição do estágio, que devem caminhar para reflexão a partir da realidade.a direção desse aprofundamento, Pimenta (1994) partindo de pesquisas realizadas em escola de formação de professores, introduz a discussão de práxis, na tentativa de superar a decantada dicotomia entre teoria e prática. Conclui que o estágio ao contrário do que se propugnava, não é atividade prática, mais teórica, instrumentalizadora da práxis docente, entendida esta como atividade de transformação da realidade. Nesse sentido, o estágio curricular é atividade teórica de conhecimento, fundamentação, diálogo e intervenção na realidade, esta, sim, objeto da práxis. Ou seja, é no contexto da sala de aula da escola, do sistema de ensino e da sociedade que a práxis de dá.Analisando o estágio como um todo não foi difícil realizá-lo, pois, pelo fato de tratar-se de pessoas adultas notava-se sempre grande interesse e atenção em relação as aulas aplicadas o que ajudava a melhorar cada vez mais o trabalho em sala de aula.Alem disso, não foram encontrados problemas no decorrer da regência, fato que culminou no sucesso deste Estágio.
CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES :Se colocados na balança, percebe-se que foi bastante positivo os resultados obtidos com o Estágio Supervisionado , principalmente no que tange a motivação dos discentes, o interesse pelas aulas, que foram bastante produtivos, despertaram e saciaram a sede dos alunos em busca de tais conhecimentos.A cada dia um momento diferente, acontecimentos que envolviam os alunos e que chamavam a atenção para as aulas, como as palestras e vídeos, as leituras compartilhadas, bem como as confecções de painéis, dentre outras ações. Um fator de extrema importância que fora notado ao longo deste período é que a professora tinha certa dificuldade em determinados momentos de controlar alguns alunos em conversas paralelas que atrapalhavam o desenvolvimento das aulas.Dessa forma, sugere-se um trabalho com os professores para que tais fatos não aconteçam que tenham mais firmeza na hora de passar conteúdos e de chamar atenção dos alunos para que não fiquem dispersos a fim de atrapalharem o bom andamento das aulas.Outra coisa que percebi , é que nessa escola não tinha nenhum tipo de material direcionado para D.A., mesmo em sua biblioteca não se encontrava nenhum livro , artigo sobre os problemas que envolvem a falta de audição. Ainda soube que muitos professores nem sabiam que LIBRAS era o nome dado a Língua de Sinais Brasileira, muitos professores relataram que quando a Diretoria de Ensino ofereciam curso de LIBRAS muitos professores não faziam porque pensavam d e se tratar de cursos tipo de Nota Fiscal Paulistinha. Isso só vem a reforçar que as escolas e o seu corpo docente estão despreparados e totalmente perdidos com a inclusão , que falta conhecimento e suporte básico para que os atuais professores da rede de ensino possam trabalhar com essas diferenças
CARACTERÍSTICAS DO PORTADOR DE DEFICIÊNCIA AUDITIVAO deficiente auditivo é considerado dessa forma, ao ser constatado sua perda total ou parcial de resíduos auditivos, por doenças congênitas ou adquiridas dificultando assim a compreensão da fala através desse órgão (ouvido).A deficiência auditiva pode manifestar-se como: Surdez leve / moderada: é aquela em que a perda auditiva é de 70 decibéis, que dificulta, mais não impede o indivíduo de se expressar oralmente, bem como de perceber a voz humana com ou sem a utilização de um aparelho auditivo.Surdez severa / profunda: é a perda auditiva acima de 70 decibéis ,que impede o indivíduo de entender, com ou sem aparelho auditivo, a voz humana, bem de adquirir naturalmente o código da língua oral.Esse é outro problema pouco discutido e de pouco interesse, o que dificulta  a  forma  d e estar tentado ajudar  o  surdo e  sua  verdadeira dificuldade.

RELATO DE MINHA EXPERIÊNCIA: Em Uma Sala de Ensino regular.

Quando comecei a trabalhar como interlocutora (Durante muitos anos, os Intérpretes têm lutado para serem reconhecidos, não apenas como colaboradores na comunidade surda, mas como verdadeiros profissionais, que buscam aperfeiçoamento, técnica, estudo e conhecimento .Dia 01/09/2010 ocorreu a regulamentação da profissão do intérprete, Lei 12.319 ) não imaginei que essa profissão me proporcionaria em relação a convivência com os alunos e suas dificuldades. Durante muitos anos, os Intérpretes têm lutado para serem reconhecidos, não apenas como colaboradores na comunidade surda, mas como verdadeiros profissionais, que buscam aperfeiçoamento, técnica, estudo e conhecimento. Dia 01/09/2010 ocorreu a regulamentação da profissão do intérprete, Lei 12.319 )

Inserida em uma sala de 6ª ano do Ensino Fundamental, com 5 (cinco) três vezes por semana e 6 (seis ) aulas 2 vezes por semana , pude vivenciar toda a metodologia que muito estudei nos livros e lia nos artigos de revistas Acadêmicas , que poderia s e resumir em “o papel do professor frente aos desafios encontrados em uma sala de aula”, Na verdade eu fui contratada para atender alunos com surdez profunda e que tinham como primeira língua oficial a língua de LIBRAS. Ao transpor as explicações do professor regente da disciplina da grade curricular correspondente a grade curricular , observei que minhas explicações em LIBRAS se perdiam por falta de entendimento do significado de muitos sinais e por falta de registro. A minha aluna D.A. (deficiente auditiva) além de entrar tardiamente na antiga 5 ª série do Ensino Fundamental , atualmente 6 ª ano não possuía escrita nem leitura em português ,( 2º língua dos surdos) Apesar de não estar ali para alfabetizar , me senti co-responsável pelo desenvolvimento da aluna , porque se ela não lê-se com fluência não conseguiria interpretar textos e por conseguinte não escreveria com coesão , apenas continuaria ser uma copista e seria excluída mesmo sendo incluída em uma sala de ensino regular. Por ser essa disciplina nova, se possui muitas metodologias , muitas ideologias , mas, material concreto são escassos , para não dizer inexistente em escolas regulares ( são encontrados em sala de recursos ) sendo assim , comecei a confeccionar os meus próprios material ( um tanto infantil , é claro) , procurei fazer um material concreto para minha que a minha aluna consegui-se montar o abstrato ( pensamento com lógica). Confeccionei um alfabeto móvel em libras onde os sinais possuía relação com as letras do alfabeto da língua portuguesa , fiz um acervo com figuras que possuía relação com os conteúdos aplicados nas disciplinas regulares ficando : figuras + sinal + datilogia de libras + nome do objeto em língua portuguesa (trilinguismo , discutido por mim em outro texto) dessa forma a minha aluna que não conhecia alguns sinais em libras poderia relacionar todos os significados que estavam em jogo.

No decorrer desse processo e por já estar a quase 40 dias convivendo diariamente com essa classe , comecei a me interessar por uma aluna que se sentava no fundo da sala, essa aluna apresentava as mesmas dificuldades de minha aluna surda, mas sendo ouvinte , ela não era alfabetizada e possui dificuldade em formular idéias abstratas , sensibilizada com a situação achei conveniente e que de nada atrapalharia o meu trabalho como interlocutora , partilhar com ela o processo de alfabetização que estava fazendo com minha outra aluna X, pois eu estava trabalhando basicamente com o concreto. Para minha surpresa a aluna que vou identificar como aluna Y , se apoderou da língua de sinal como base para sua alfabetização , porque quando eu faço a configuração do A na mão , essa letra é visível, fazendo a ponte entre o que seria abstrato ( se eu apenas fala-se A) para o concreto, permitindo que o aluno (a) consiga formular idéias, opiniões e dar significado, pois quando eu falo a palavra “deserto” crianças que não possui a habilidade de relacionar rapidamente a palavra ao seu significado , ela perde o sentido do conteúdo que esta sendo trabalhado , fica “boiando”, mas quando eu forneço pistas para a construção do significado com a intervenção de figuras em que ela possa reconhecer sobre o que se esta falando , a sua assimilação é rápida e contribui favoravelmente para a memorização , e tive a chance de comprovar que esse método me trazia bons resultados:

1. Que a aluna X e a aluna Y realmente entendiam ao que eu estava me referindo.

2. Que a repetição de figuras-sinal-escrita em português, contribuíam imensamente para uma memorização com significado.

3. Que as alunas X e Y, estavam conseguindo acompanhar e internalizar os conteúdos do professor regente

4. O mais importante, que estava contribuindo para produção de textos e estavam construindo conhecimentos.

Quem deu ou dá aula em uma sala do Ensino Fundamental, sabe por experiência própria que em uma mesma sala com os mesmo nível de idade e com a mesma base cultural , se possui vários tipos de alunos : _Alunos que pegam tudo rapidinho, _ Aluno que demora um pouquinho pra pegar , mas consegue acompanhar, _ Alunos que são lentos, _ Alunos que são “parados”.Bom devo antes abrir uma ressalva, que eu só pude ter esse olhar e entender a situação de cada aluno , porque estando na sala de aula o meu trabalho era interpretar na língua de sinais e não para passar conteúdos e cumprir a tão temível metodologia curricular que segrega as idéias e as habilidades do professor o tornando um mero instrumento de mão de obra , e que eu ficava praticamente 5 horas na mesma sala tendo com isso uma maior intimidade um entendimento sobre o perfil de cada aluno e suas competências . E dentro dessa sala os “parados” me chamou a atenção , havia dois meninos que não faziam absolutamente nada , não na verdade faziam sim , descontextualizavam a sala , brincavam , mexiam com os outros , eram briguentos, e adoravam passear pela diretoria. Em sala de aula nem se atreviam a abrir o caderno ficavam com aquela cara de quem ta lá na lua desenhando a bandeira dos Estados Unidos e eles nem sentavam perto, cada um tinha seu lado da sala para incomodar. Quando conversava com professores mais experiente a respeito deles em sua maioria a opinião era a mesma , que um era mesmo devagar e que o outro ( talvez pelo seu pontuario ) era um menino de alto risco ( não sei porque e preferi não descobrir) e que eu não me preocupa-se logo ele seria expulso da escola.

Mesmo não sendo de minhas competências , por que meu papel ali não era ser professora alfabetizadora, mediadora, conselheira etc. E mesmo sempre ouvindo que eu não era responsável pela menina Y que “não aprendia como aprender”, algo dentro de me mim falava mais alto, porque mesmo este não ser o meu trabalho a minha responsabilidade , o meu comprometimento com a educação esta em meu DNA, isso me fez aproximar desses alunos e tentar compreender os motivos que faziam ter bom comportamento tão inverso ao esperado.

Eu me aproximei do menino de “alto risco” que chamarei de Y 2 , quando pedia para ele abrir o caderno , ele fazia uma cara d e bobo e ficava olhando para o outro lado e com um sorriso patético na cara, se eu fosse para o outro lado ele começava a olhar para os colegas da sala com a mesma cara de bobo e com aquele riso patético, ( imaginem a cena ) ele nem se habilitava em algumas ocasiões abrir a bolsa e quando eu pedia que ele abri-se a bolsa escolar , ele ria e estiva os braços como que para espreguiçar , e eu todo dia ,a cada aula pedia para ele participar das atividades. Eu já tinha conseguido uma certa intimidade com ele , as vezes sentava perto quando não estava atarefada em minhas funções e tentava puxar papo tipo , o que você fez ontem, o que mais gosta de , e ele me respondia de cabeça baixa em uma voz quase inaudível , mas respondia. Um dia ao tomar o celular em que ele brincava na sala de aula , ( e olha que foi quase uma luta corporal , ele ao me ver chegar trancou o celular em suas mãos) , ele aos gritos o pedia , eu falava que só o entregaria no final da aula, e ele dizia que era mentira que eu ia entregar para a diretora ( em minha escola , é de praxe ao tomar qualquer objeto , entregar para direção , para que se tome providencias ) . Eu me posicionei bem na frente dele e olhando dentro dos olhos disse, “eu não sou mentirosa e não descumpro o que prometo. Faltando alguns minutos para acabar o dia letivo eu entreguei o celular e pedi que nunca mais o usa-se em sala de aula. Outro momento que estreitou a nossa convivência foi quando ao observá-lo mexer com o coleguinha chamei atenção e ele me desacatou dizendo que eu não era professora dele que eu estava ali por causa da aluna X e da aluna Y , eu expliquei calmamente para ele que , não obstante a minha posição naquela sala eu era uma educadora e tinha liberdade de intervir na situação em que eu acha-se pertinente. ( normalmente eu uso palavras bem difícil para a série deles , e quando algum aluno quer saber o significado eu explico e peço para conferir no dicionário, um que sempre trago comigo). Eu o encaminhei á diretoria , onde ele teve 3 ( três ) dias de suspensão.Foi a partir dessa pequenas situações corriqueiras em uma sala de aula que ele percebeu que eu sabia o que estava fazendo e o que estava querendo fazer. Em uma oportunidade sentei ao lado dele e pedi que ele fizesse a lição e ele começou a olhar para baixo , e eu comecei a insistir e dizer faça eu te ajudo , ai ele me disse “Não sei ler nem escrever”, um menino de 15 anos , no 6ª ano da 5ª série do Ensino Fundamental. Após um breve diagnóstico o classifiquei como silábico alfabético , comecei a passar exercícios igual aos que passava para as alunas X e Y , e após a professora coordenadora da sala perceber o interesse dele em aprender o trouxe para a frente junto dos meus outros alunos para que eu pudesse fazer um trabalho diferenciado com ele também (alfabetização).[ Não quero neste relato colocar em jogo as competências, profissionalismo e o compromisso de meus amigos docentes que trabalham nessa sala , que desempenham muito bem o seu trabalho , mas devido eles muitas vezes possuir apenas 2 aulas por semana , e ainda serem professores de disciplinas específicas e não serem pedagogos , também não quero culpar os professores das séries iniciais , que sei de seu árduo trabalho e muitas vezes em situações precárias e sem reconhecimento]. O aluno “avuado” que chamarei de Y3, de forma nenhuma ficou despercebido, já com aval de outros professores também o trouxe para perto de mim para descobrir o que acontece com ele , ainda estou o observando , mas ao constatar que , ele é um menino que sabe ler , escreve muito bem , apenas se embanana todo em acompanhar a classe , outro dia a professora de português passou um texto na lousa e contei cinco folhas que ele começava a escrever e se perdia e a arrancava e jogava no lixo e começava tudo de novo , ao me sentar ao lado dele perguntei o motivo e ele disse , que a professora já tinha apagado o que ele estava escrevendo , em outras ocasiões quando ele não queria fazer nada , e ao questioná-lo ele me dizia que não sabia fazer , ao sentar com ele e o ajudar ditando ou mostrando o que era para fazer ,ele fazia muito bem . [Se eu fosse psicóloga eu diria que esse menino tem problemas de segurança ,auto afirmação], mas como não sou ,estou apostando em uma coisa muito simples, que talvez na esse menino não enxerga na lousa e por algum motivo não quer falar , mas já pedi o encaminhamento dele para o oculista Nessas altura estou tão familiarizada com a sala que ocupo muitas funções : sou boa ouvinte de problemas sentimentais, apaziguadora de briguinhas , professora que “ da dica” , a profª que esclarece duvidas sobre assuntos “acreditem incríveis” ,e lógico a profª que fala uma língua diferente LIBRAS, Voltando agora ao relato de realmente a minha função a aluna X que é surda , quando eu a conheci ela era uma menina , introvertida, vivia em um mundo só dela , com a atenção que a dedico , ela esta interagindo com a sala , esta naquela fase de descoberta da escrita , onde escreve e manda bilhetinhos para todo mundo, a sala de tanto me ver estão também alfabetizada em libras, e sempre pego alguns alunos se comunicando m libras quando a professora esta ocupada em alguma tarefa. A experiência para os alunos regulares foi tão gratificante e interessante que atualmente faço um trabalho voluntário na escola da família , para poder atender a todos que se interessam em aprender a língua de sinal e com isso garantir a acessibilidade nos meios de comunicação.



ESCOLA INCLUSIVA PARA SURDOS E O TRADUTOR INTERPRETE

 Educação Escolar Inclusiva para Pessoas com Surdez
E studar a educação escolar das pessoas com

surdez nos reporta não só a questões

referentes aos seus limites e possibilidades,

como também aos preconceitos existentes nas

atitudes da sociedade para com elas.

As pessoas com surdez enfrentam inúmeros

entraves para participar da educação escolar,

decorrentes da perda da audição e da forma como se

estruturam as propostas educacionais das escolas.

Muitos alunos com surdez podem ser prejudicados

pela falta de estímulos adequados ao seu potencial

cognitivo, sócio-afetivo, lingüístico e político-cultural

e ter perdas consideráveis no desenvolvi-mento da

aprendizagem.

Estudos realizados na última década do

século XX e início do século XXI, por diversos

autores e pesquisadores oferecem contribuições à

educação de alunos com surdez na escola comum

ressaltando a valorização das diferenças no convívio

 Doravante deve-se entender o uso do termo pessoa com surdez

como uma forma de nos reportamos a pessoas com uma deficiência

auditiva, independente do grau da sua perda sensorial.

social e o reconhecimento do potencial de cada ser

humano. Poker (2001) afirma que as trocas

simbólicas provocam a capacidade representativa

desses alunos, favorecendo o desenvolvimento do

pensamento e do conhecimento, em ambientes

heterogêneos de aprendizagem. No entanto, existem

posições contrárias à inclusão de alunos com surdez

nas turmas comuns, em decorrência da compreensão


Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Surdez

Atuação do tradutor/intérprete em

sala de aula comum com o

professor sem fluência em Libras

O tradutor/intérprete poderá atuar na sala

comum, mas sempre evitando interferir na construção

da Língua Portuguesa, como segunda língua dos

alunos com surdez. A sala de aula comum é um dos

locais de aprendizado da Língua Portuguesa para os

alunos com surdez.

Atuação do tradutor/intérprete

em palestras, debates, discussões,

reuniões de colegiado e eventos

da escola

A atuação do tradutor/intérprete escolar

envolve também a mediação da comunicação nas

diversas atividades que acontecem na escola ou

relacionadas a ela, visando atender às necessidades

tanto de professores e alunos quanto da comunidade

escolar e promovendo a inclusão social.

O tradutor/intérprete é mais um profissional

que, ciente de sua responsabilidade social, poderá

mobilizar gestores e professores para a importância

de se promover a igualdade de acesso ao conhecimento

acadêmico para todos os alunos, indistintamente.

Para saber mais...

PAGANO, Adriana; ALVEZ, Fábio; MAGALHÃES, Célia.

Traduzir com Autonomia: estratégias para o tradutor em

formação. São Paulo: Editora Contexto, 2000.

QUADROS, Ronice Müller de. O Tradutor e Intérprete

de Língua Brasileira de Sinais e Língua Portuguesa. Brasília:

MEC/SEESP, 2001.

ROBINSON, Douglas. Construindo o Tradutor. Bauru,

São Paulo: EDUSC, 2002.
Pedagogia da Autonomia - Resenha




Por: Walter



Paulo Freire (1996). Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 165 p.

Review by Claudilene Sena de Oliveira Kerber (CELES). (First appeared in: La Salle: Revista de Educação;, Ciência e Cultura/Centro Educacional La Salle de Ensino Superior (CELES) v. 3, n. 7, (Outono de 1998). Reproduced with permission.)



Freire introduz Pedagogia da autonomia explicando suas razões para analisar a prática pedagógica do professor em relação à autonomia de ser e de saber do educando. Enfatiza a necessidade de respeito ao conhecimento que o aluno traz para a escola, visto ser ele um sujeito social e histórico, e da compreensão de que "formar é muito mais do que puramente treinar o educando no desempenho de destrezas" (p.. 15). Define essa postura como ética e defende a idéia de que o educador deve buscar essa ética, a qual chama de "ética universal do ser humano"(p. 16), essencial para o trabalho docente.

Não podemos nos assumir como sujeitos da procura, da decisão, da ruptura, da opção, como sujeitos históricos, transformadores, a não ser assumindo-nos como sujeitos éticos (...) É por esta ética inseparável da prática educativa, não importa se trabalhamos com crianças, jovens ou com adultos, que devemos lutar (p. 17 e 19).

Em sua análise, menciona alguns itens que considera fundamentais para a prática docente, enquanto instiga o leitor a criticá-lo e acrescentar a seu trabalho outros pontos importantes. Inicia afirmando que "não há docência sem discência" (p. 23), pois "quem forma se forma e re-forma ao formar, e quem é formado forma-se e forma ao ser formado" (p.25). Dessa forma, deixa claro que o ensino não depende exclusivamente do professor, assim como aprendizagem não é algo apenas de aluno. "Não há docência sem discência, as duas se explicam, e seus sujeitos, apesar das diferenças que os conotam, não se reduzem à condição de objeto, um do outro. Quem ensina aprende ao ensinar, e quem aprende ensina ao aprender" (p. 25).

Justifica assim o pensamento de que o professor não é superior, melhor ou mais inteligente, porque domina conhecimentos que o educando ainda não domina, mas é, como o aluno, participante do mesmo processo da construção da aprendizagem.

Segue sua análise colocando como absolutamente necessário o rigor metódico e intelectual que o educador deve desenvolver em si próprio, como pesquisador, sujeito curioso, que busca o saber e o assimila de uma forma crítica, não ingênua, com questionamentos, e orienta seus educandos a seguirem também essa linha metodológica de estudar e entender o mundo, relacionando os conhecimentos adquiridos com a realidade de sua vida, sua cidade, seu meio social. Afirma que "não há ensino sem pesquisa nem pesquisa sem ensino" (p. 32). Esse pesquisar, buscar e compreender criticamente só ocorrerá se o professor souber pensar. Para Freire, saber pensar é duvidar de suas próprias certezas, questionar suas verdades. Se o docente faz isso, terá facilidade de desenvolver em seus alunos o mesmo espírito.

O professor que pensa certo deixa transparecer aos educandos que uma das bonitezas de nossa maneira de estar no mundo e com o mundo, como seres históricos, é a capacidade de, intervindo no mundo, conhecer o mundo (...) Ensinar, aprender e pesquisar lidam com dois momentos: o em que se aprende o conhecimento já existente e o em que se trabalha a produção do conhecimento ainda não existente (p.31).

Ensinar, para Freire, requer aceitar os riscos do desafio do novo, enquanto inovador, enriquecedor, e rejeitar quaisquer formas de discriminação que separe as pessoas em raça, classes... É ter certeza de que faz parte de um processo inconcluso, apesar de saber que o ser humano é um ser condicionado, portanto há sempre possibilidades de interferir na realidade a fim de modificá-la. Acima de tudo, ensinar exige respeito à autonomia do ser do educando.

O respeito à autonomia e à dignidade de cada um é imperativo ético e não um favor que podemos ou não conceder uns aos outros (...) O professor que desrespeita a curiosidade do educando, o seu gosto estético, a sua inquietude, a sua linguagem, mais precisamente, a sua sintaxe e a sua prosódia; o professor que ironiza o aluno, que o minimiza, que manda que "ele se ponha em seu lugar" ao mais tênue sinal de sua rebeldia legítima, tanto quanto o professor que se exime do cumprimento de seu dever de propor limites à liberdade do aluno, que se furta ao dever de ensinar, de estar respeitosamente presente à experiência formadora do educando, transgride os princípios fundamentalmente éticos de nossa existência (p. 66).

É importante que professores e alunos sejam curiosos, instigadores. "É preciso, indispensável mesmo, que o professor se ache repousado no saber de que a pedra fundamental é a curiosidade do ser humano" (p. 96). Faz-se necessário, portanto, que se proporcionem momentos para experiências, para buscas. O professor precisa estar disposto a ouvir, a dialogar, a fazer de suas aulas momentos de liberdade para falar, debater e ser aberto para compreender o querer de seus alunos. Para tanto, é preciso querer bem, gostar do trabalho e do educando. Não com um gostar ou um querer bem ingênuo, que permite atitudes erradas e não impõe limites, ou que sente pena da situação de menos experiente do aluno, ou ainda que deixa tudo como está que o tempo resolve, mas um querer bem pelo ser humano em desenvolvimento que está ao seu lado, a ponto de dedicar-se, de doar-se e de trocar experiências, e um gostar de aprender e de incentivar a aprendizagem, um sentir prazer em ver o aluno descobrindo o conhecimento.

É digna de nota a capacidade que tem a experiência pedagógica para despertar, estimular e desenvolver em nós o gosto de querer bem e gosto da alegria sem a qual a prática educativa perde o sentido. É esta força misteriosa, às vezes chamada vocação, que explica a quase devoção com que a grande maioria do magistério nele permanece, apesar da imoralidade dos salários. E não apenas permanece, mas cumpre, como pode, seu dever (p. 161).

Nessa obra, portanto, expondo os saberes que considera necessários à prática docente, Paulo Freire orienta ao mesmo tempo que incentiva os educadores e educadoras a refletirem sobre seus fazeres pedagógicos, modificando aquilo que acharem preciso, mas especialmente aperfeiçoando o trabalho, além de fazerem a cada dia a opção pelo melhor, não de forma ingênua, mas com certeza de que, se há tentativas, há esperanças e possibilidades de mudanças daquilo que em sua visão necessita mudar.



Resumo do livro Pedagogia da Autonomia

A Pedagogia da Autonomia é um livro pequeno em tamanho, mas gigante em esperança e otimismo, que condena as mentalidades fatalistas que se conformam com a ideologia imobilizante de que "a realidade é assim mesmo, que podemos fazer?" Para estes basta o treino técnico indispensável à sobrevivência. Em Paulo Freire, educar é construir, é libertar o ser humano das cadeias do determinismo neoliberal, reconhecendo que a história é um tempo de possibilidades. É um "ensinar a pensar certo" como quem "fala com a força do testemunho". É um "ato comunicante, co-participado", de modo algum produto de uma mente "burocratizada". No entanto, toda a curiosidade de saber exige uma reflexão crítica e prática, de modo que o próprio discurso teórico terá de ser aliado à sua aplicação prática.

Ensinar é algo de profundo e dinâmico onde a questão de identidade cultural que atinge a dimensão individual e a classe dos educandos, é essencial à "prática educativa progressista". Portanto, torna-se imprescindível "solidariedade social e política para se evitar um ensino elitista e autoritário como quem tem o exclusivo do "saber articulado". E de novo, Freire salienta, constantemente, que educar não é a mera transferência de conhecimentos, mas sim conscientização e testemunho de vida, senão não terá eficácia.

Igualmente, para ele, educar é como viver, exige a consciência do inacabado porque a "História em que me faço com os outros (...) é um tempo de possibilidades e não de determinismo"(p.58). No entanto, tempo de possibilidades condicionadas pela herança do genético, social, cultural e histórico que faz dos homens e das mulheres seres responsáveis, sobretudo quando "a decência pode ser negada e a liberdade ofendida e recusada"(p.62).

Segundo Freire, "o educador que 'castra' a curiosidade do educando em nome da eficácia da memorização mecânica do ensino dos conteúdos, tolhe a liberdade do educando, a sua capacidade de aventurar-se. Não forma, domestica"(p.63). A autonomia, a dignidade e a identidade do educando tem de ser respeitada, caso contrário, o ensino tornar-se-á "inautêntico, palavreado vazio e inoperante"(p.69). E isto só é possível tendo em conta os conhecimentos adquiridos de experiência feitos" pelas crianças e adultos antes de chegarem à escola.

Para Freire, o homem e a mulher são os únicos seres capazes de aprender com alegria e esperança, na convicção de que a mudança é possível. Aprender é uma descoberta criadora, com abertura ao risco e a aventura do ser, pois ensinando se aprende e aprendendo se ensina. Neste sentido, afirma que qualquer iniciativa de alfabetização só toma dimensão humana quando se realiza a "expulsão do opressor de dentro do oprimido", como libertação da culpa (imposta) pelo "seu fracasso no mundo". Por outro lado, Freire insiste na "especificidade humana" do ensino, enquanto competência profissional e generosidade pessoal, sem autoritarismos e arrogância. Só assim, diz ele, nascerá um clima de respeito mútuo e disciplina saudável entre "a autoridade docente e as liberdades dos alunos, (...) reinventando o ser humano na aprendizagem de sua autonomia"(p.105). Conseqüentemente, não se poderá separar "prática de teoria, autoridade de liberdade, ignorância de saber, respeito ao professor de respeito aos alunos, ensinar de aprender” (p.106-107).

A idéia de coerência profissional, indica que o ensino exige do docente comprometimento existencial, do qual nasce autêntica solidariedade entre educador e educandos, pois ninguém se pode contentar com uma maneira neutra de estar no mundo. Ensinar, por essência, é uma forma de intervenção no mundo, uma tomada de posição, uma decisão, por vezes, até uma ruptura com o passado e o presente. Pois, quando fala de "educação como intervenção", Paulo Freire refere-se a mudanças reais na sociedade: no campo da economia, das relações humanas, da propriedade, do direito ao trabalho, à terra, à educação, à saúde(...)"(p.123), em referência clara a situação no Brasil e noutros países da América Latina.

Para Freire, a educação é ideológica mas dialogante e atentiva, para que se possa estabelecer a autêntica comunicação da aprendizagem, entre gente, com alma, sentimentos e emoções, desejos e sonhos. A sua pedagogia é "fundada na ética, no respeito à dignidade e à própria autonomia do educando"(p.11). E é "vigilante contra todas as práticas de desumanização"(p.12). É necessário que "o saber-fazer da auto reflexão crítica e o saber-ser da sabedoria exercitada ajudem a evitar a "degradação humana" e o discurso fatalista da globalização"(p.12).

Para Paulo Freire o ensino é muito mais que uma profissão, é uma missão que exige comprovados saberes no seu processo dinâmico de promoção da autonomia do ser de todos os educandos. Os princípios enunciados por Paulo Freire, o homem, o filósofo, o Professor que por excelência verdadeiramente promoveu a inclusão de todos os alunos e alunas numa escolaridade que dignifica e respeita os educandos porque respeita a sua leitura do mundo como ponte de libertação e autonomia de ser pensante e influente no seu próprio desenvolvimento. A Pedagogia da Autonomia é sem dúvida uma das grandes obras da humanidade em prol duma educação que respeita todo o educando (incluindo os mais desfavorecidos) e liberta o seu pensamento de tradições desumanizantes - porque opressoras. A esperança e o otimismo na possibilidade da mudança são um passo gigante na construção e formação científica do professor ou da professora que "deve coincidir com sua retidão ética" (p.18). Paulo Freire, um Professor que através da sua vida não só procurou perceber os problemas educativos da sociedade brasileira e mundial, mas propôs uma prática educativa para os resolver. Esta ensina os professores e as professoras a navegar rotas nos mares da educação orientados por uma bússola que aponta entre outros os seguintes pontos cardeais:

a rigorosidade metódica e a pesquisa, a ética e estética, a competência profissional, o respeito pelos saberes do educando e o reconhecimento da identidade cultural, a rejeição de toda e qualquer forma de discriminação, a reflexão crítica da prática pedagógica, a corporeificação, o saber dialogar e escutar, o querer bem aos educandos, o ter alegria e esperança, o ter liberdade e autoridade, o ter curiosidade, o ter a consciência do inacabado... Como princípios basilares a uma prática educativa que transforma educadores e educandos e lhes garante o direito a autonomia pessoal na construção duma sociedade democrática que a todos respeita e dignifica.

Paulo Freire demonstra a todos os falantes da língua portuguesa, acostumados à maneira masculina de ver o mundo, a qual tem mantido invisível metade da humanidade os seres femininos, que a língua Portuguesa também nos proporciona as possibilidades do uso de linguagem que respeita a comparticipação visível e dignificante da mulher no mundo atual. Para Paulo Freire não existe unicamente o homem, o professor, o aluno, o pai mas também a mulher, a professora, a aluna, a mãe! A impressão geral do livro é que Paulo Freire escreve e discursa, acima de tudo, com amor pelo que faz. O autor vai lentamente introduzindo conceitos que se misturam e se complementam, às vezes de maneira sutil, e em outras ocasiões de maneira objetiva e absolutamente sincera. Uma das principais mensagens que o autor deixa nesta obra, ao meu ver, é o significado do ensinar. É com a mais brilhante vocação que o autor mostra em simples palavras que ensinar é todo um processo de troca entre aluno e professor, onde ambos aprendem, ambos adquirem e sanam dúvidas, ambos crescem como seres humanos. É a mensagem de que para ensinar precisamos, antes de mais nada, ter a consciência da importância e da beleza desta tarefa, da importância de se poder fazer a diferença num sistema socio-econômico-político com certezas às vezes tão opressoras e cruéis àqueles que não dispõe de meios financeiros para obter cultura e informação. Enfim, o professor Paulo Freire nos dá uma aula de ensinar, e nos fornece com um pensamento livre e despojado uma grande inspiração: de que ensinar vale a pena.

Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. Paulo Freire A temática central deste livro é a formação de professores, inserida numa reflexão sobre a prática educativo- progressista em favor da AUTONOMIA dos alunos (pois FORMAR é muito mais do que simplesmente EDUCAR).Na verdade, o enfoque não foge muito do que poderia ser chamado de "ética do ensino", procurando alertar o leitor sobre a diferença entre treinar, ensinar e educar, temas freqüentes na obra deste autor.

Grande parte do livro é dedicada a discussões sobre o quanto as atitudes que o professor toma dentro de sala e fora dela influenciam o que ele passa para seus alunos, englobando desde recomendações sobre a tomada de consciência de que os alunos têm uma cultura e uma curiosidade que precedem a imposição da escola, a discussão sobre a mudança de "curiosidade ingênua" para "curiosidade epistemológica" (que não diferem em sua essência, mas em sua complexidade, pois enquanto aquela se baseia apenas na experiência cotidiana, esta é dotada do rigor metódico, do criticismo), até a consideração dos educandos como seres humanos, portanto, seres histórico-sociais dotados de uma noção mínima de ética. O autor não fecha os olhos para as injustiças que acontecem com os "esfarrapados do mundo". Está ao lado deles, embora não aceite que, para que as injustiças acabem, ações terroristas sejam tomadas.

Os professores têm grande responsabilidade ao ensinar e devem ser dotados de ÉTICA (universal do ser humano, sem cinismos), sendo esta intimamente relacionada ao seu preparo científico, combatendo a malvadez da ética de mercado mundial (baseada em lucros). Paulo Freire beira o moralismo quando se põe a discutir sobre os preconceitos embutidos consciente ou insconscientemente no processo educativo. Discute desde frases do tipo "Maria é negra, mas é bondosa e competente" e até justifica sua raiva frente a posturas deste tipo. Beira o moralismo também quando se refere a crianças de escola pública que depredam o próprio patrimônio (ou seja, a escola), porque "como cobrar das crianças um mínimo de respeito (...) se o Poder Público revela absoluta desconsideração à coisa pública?". Ele mesmo percebe isso, e freqüentemente se dirige ao leitor para que ele lembre que não está sendo descrita uma "educação de anjos", mas uma "educação de homens e mulheres". Talvez isso seja uma reflexão de ideologia esquerdista, sobre a qual também existe menção, tendo como foco os professores que se dizem "progressistas" mas se renderam à rotina neocapitalista. Freire parece, então, não utópico, mas excessivamente confiante na vontade das pessoas de se tornarem melhores (i.e. apoiarem atitudes "progressistas"). Existe ainda uma preocupação com a caracterização do meio escolar como um meio de convívio social onde existem exemplos humanos além dos que se encontram nos livros didáticos, e como o professor é um desses exemplos, ele deve ter plena consciência disso, e portanto julgar as próprias ações. Freire não insiste, neste livro, no aspecto teórico da epistemologia, mas sempre recomenda a postura crítica frente a qualquer atitude, seja ela um conteúdo escolar ou não, porque essa postura crítica é o que caracteriza a "curiosidade epistemológica" e permite que, uma vez identificados os erros, sejam feitas mudanças. E essas mudanças são aquelas que levariam à melhoria das condições de vida de cada um, ou ao progresso.

Freire tem, no entanto, várias distorções de visão, pois além de várias vezes ser utópico, sugere que se leve discussões políticas para a sala de aula (o que é negativo para a formação de Ciências Sociais, porque a ideologia do professor contamina o que ele se dispuser a discutir) e ainda tem uma visão excessivamente centrada no ser humano, colocando animais (inclusive mamíferos) como seres inferiores (o que é negativo principalmente na formação de Ciências Naturais).

Com base nestes apontamentos iniciais, podem ser citadas algumas das considerações sobre a prática docente: 1) Deve existir uma reflexão crítica entre a relação Teoria/ Prática, para que nenhuma perca seu sentido ou importância.2) O professor não pode somente transferir conhecimento, devendo haver uma troca de ensinamentos e aprendizagens entre educador e educando (este, cada vez mais curioso, poderá criar sempre mais). O professor deve estar aberto aos questionamentos e dificuldades dos alunos. Entretanto, se o aluno foi submetido a um falso ensinar, isto não significa que ele está condenado, pois se ele tiver curiosidade e capacidade de se arriscar, pode superar esta falha. 3) É preciso reforçar a capacidade crítica do educando e sua insubmissão, dentro de uma rigorosidade metódica, para que ele não se torne um simples "memorizador". 4) Os conhecimentos dos alunos têm que ser respeitados, principalmente daqueles vindos de classes mais baixas, e aplicá-los aos conteúdos ensinados (REALIDADE DENTRO DO APRENDIZADO). 5) A crítica deve estar inserida no ensino, a partir da curiosidade dos alunos. Esta, inicialmente ingênua, ao ser superada, pode tornar- se epistemológica, com a aplicação da prática pedagógico- progressista. 6) Necessidade de decência e pureza (que não pode ser entendida como puritanismo). Se o ensino for transformado em pura técnica, o educador distancia- se da ética.

- Não deve haver discriminação, pois esta prática fere a dignidade do ser humano e não se aplica à democracia. 7) É necessário ensinar o educando a PENSAR CERTO. 8) Deve- se assumir a identidade cultural de cada um, assunção esta incompatível com os pensamentos elitistas. 9) O professor tem que estar ciente de que suas atitudes podem influenciar profundamente a vida de um aluno, positiva ou negativamente. 10) O conhecimento do professor precisa ser vivido por ele, encarnado, para que se transforme em prática aplicável.11) O ensino e sua prática não podem ser tratados como algo definitivo, são passíveis de mudança. O ser humano também é inacabado e justamente por isso, o ato de ensinar/aprender deve ser permanente. 12) É necessária a consciência de que as pessoas podem ser CONDICIONADAS de acordo com o meio. Porém, isto não significa que elas sejam DETERMINADAS por ele (os obstáculos não são eternos). 13) O respeito pela autonomia do aluno é exigido pela ética. Cada um possui particularidades e pensamentos que não podem ser minimizados ou ridicularizados. Se isto acontecer, a ética é transgredida.

- Bom senso. Autoridade não pode ser entendida como autoritarismo. O professor tem que entender, em certas ocasiões, pontos falhos do aluno. Ao invés de reprimi-lo, tem que ajudá-lo, com humildade e tolerância. 14) Sobre a avaliação: seria boa uma forma na qual fosse feita junto com os alunos, pois a avaliação é para eles, e não para o educador. 15) Para a realização da docência decente, devem existir condições favoráveis, higiênicas, espaciais e estéticas. O corpo docente deve lutar pelos seus direitos (como um salário digno), isto faz parte da prática de lecionar. 16) Se a educação é ofendida (principalmente nas escolas públicas), o professor deve tomar uma postura política que o permita lutar contra esta ofensa, além de repensar sobre a eficácia das greves. 17) Deve haver alegria e esperança. A esperança faz parte do ser humano, e negá-la contradiz a prática progressista da educação e a ética (sempre contra a frase: "O QUE FAZER? A REALIDADE É ASSIM MESMO"). 18) O futuro deve ser tratado como problema, que pode ser solucionado, e não como inexorável. Com base nisso, o professor tem que estar convencido de que mudanças são possíveis, por exemplo, com relação aos favelados e aos sem- terra. 19) O professor, assim como o aluno, também é movido pela curiosidade. Ela é a mola propulsora do aprendizado e do ensino do educador, da construção e produção de conhecimentos. Proporciona um diálogo entre o professor e o aluno. Porém, este diálogo não deve ser tratado como apenas um vai- vem de perguntas e respostas: momentos explicativos do educador são necessários. 20) É preciso tomar muito cuidado com a relação autoridade- liberdade, sempre ameaçadas pela prática do autoritarismo e da licenciosidade, prática esta que pode acabar levando a disciplina à indisciplina. 21) O educador tem que ser seguro, competente e generoso, atitudes estas que exigem esforço e moralidade. 22) Não se deve falar de cima para baixo, achar que é o dono da verdade. Um educador não deve falar PARA o educando, mas sim COM ele, e isso só é possível quando o educador sabe escutar. Porém, a escuta não deve ser passiva, ela é uma boa forma de se fazer questionamentos sobre o que está sendo exposto, de defender uma opinião própria. Isto pode ser refletido numa maneira crítica e justa de avaliação.

Existem, então, após todos estes apontamentos, algumas relações que nunca podem ser desenlaçadas, para que a pedagogia da autonomia seja aplicável: ensino dos conteúdos com formação ética dos educandos, prática com teoria, ignorância com saber (seja de educador ou educando), autoridade com liberdade, respeito ao professor com respeito ao aluno, ensinar com aprender. Todas elas devem ser respeitadas e tratadas com responsabilidade. Aspectos políticos também sempre devem ser levados em conta. Classes dominantes enxergam a educação como IMOBILIZADORA E OCULTADORA de verdades. Entretanto, a educação é uma forma de se intervir no mundo. Contudo, deve ficar muito claro para o educador que a autonomia não vem de um dia para o outro, leva tempo para ser construída. Um grande cuidado também é extremamente necessário ao educador: de que a educação é ideológica e que, dependendo da ideologia, ele pode acabar aceitando idéias perigosas (o mundo é assim, não está assim, por exemplo).

E, por fim, deve ficar muito claro que uma docência decente, de qualidade, não se separa da afetividade que o professor tem por seus alunos (embora ela não deva interferir, por exemplo na avaliação, e nem signifique que o educador deva amar todos seus alunos de maneira igual).

Freire introduz a Pedagogia da Autonomia explicando suas razões para analisar a prática pedagógica do professor em relação à autonomia de ser e de saber do educando. Enfatiza a necessidade de respeito ao conhecimento que o aluno traz para a escola, visto ser ele um sujeito social e histórico, e da compreensão de que "formar é muito mais do que puramente treinar o educando no desempenho de destrezas" (p.. 15). Define essa postura como ética e defende a idéia de que o educador deve buscar essa ética, a qual chama de "ética universal do ser humano" (p. 16), essencial para o trabalho docente. Não podemos nos assumir como sujeitos da procura, da decisão, da ruptura, da opção, como sujeitos históricos, transformadores, a não ser assumindo-nos como sujeitos éticos (...) É por esta ética inseparável da prática educativa, não importa se trabalhamos com crianças, jovens ou com adultos, que devemos lutar (p. 17 e 19). Em sua análise, menciona alguns itens que considera fundamentais para a prática docente, enquanto instiga o leitor a criticá-lo e acrescentar a seu trabalho outros pontos importantes. Inicia afirmando que "não há docência sem discência" (p. 23), pois "quem forma se forma e re-forma ao formar, e quem é formado forma-se e forma ao ser formado" (p.25). Dessa forma, deixa claro que o ensino não depende exclusivamente do professor, assim como aprendizagem não é algo apenas de aluno. "Não há docência sem discência, as duas se explicam, e seus sujeitos, apesar das diferenças que os conotam, não se reduzem à condição de objeto, um do outro. Quem ensina aprende ao ensinar, e quem aprende ensina ao aprender" (p. 25). Justifica assim o pensamento de que o professor não é superior, melhor ou mais inteligente, porque domina conhecimentos que o educando ainda não domina, mas é, como o aluno, participante do mesmo processo da construção da aprendizagem.

Segue sua análise colocando como absolutamente necessário o rigor metódico e intelectual que o educador deve desenvolver em si próprio, como pesquisador, sujeito curioso, que busca o saber e o assimila de uma forma crítica, não ingênua, com questionamentos, e orienta seus educandos a seguirem também essa linha metodológica de estudar e entender o mundo, relacionando os conhecimentos adquiridos com a realidade de sua vida, sua cidade, seu meio social. Afirma que "não há ensino sem pesquisa nem pesquisa sem ensino" (p. 32). Esse pesquisar, buscar e compreender criticamente só ocorrerá se o professor souber pensar. Para Freire, saber pensar é duvidar de suas próprias certezas, questionar suas verdades. Se o docente faz isso, terá facilidade de desenvolver em seus alunos o mesmo espírito.

O professor que pensa certo deixa transparecer aos educandos que uma das bonitezas de nossa maneira de estar no mundo e com o mundo, como seres históricos, é a capacidade de, intervindo no mundo, conhecer o mundo (...) Ensinar, aprender e pesquisar lidam com dois momentos: o em que se aprende o conhecimento já existente e o em que se trabalha a produção do conhecimento ainda não existente (p.31). Ensinar, para Freire, requer aceitar os riscos do desafio do novo, enquanto inovador, enriquecedor, e rejeitar quaisquer formas de discriminação que separe as pessoas em raça, classes... É ter certeza de que faz parte de um processo inconcluso, apesar de saber que o ser humano é um ser condicionado, portanto há sempre possibilidades de interferir na realidade a fim de modificá-la. Acima de tudo, ensinar exige respeito à autonomia do ser do educando. O respeito à autonomia e à dignidade de cada um é imperativo ético e não um favor que podemos ou não conceder uns aos outros (...) O professor que desrespeita a curiosidade do educando, o seu gosto estético, a sua inquietude, a sua linguagem, mais precisamente, a sua sintaxe e a sua prosódia; o professor que ironiza o aluno, que o minimiza, que manda que "ele se ponha em seu lugar" ao mais tênue sinal de sua rebeldia legítima, tanto quanto o professor que se exime do cumprimento de seu dever de propor limites à liberdade do aluno, que se furta ao dever de ensinar, de estar respeitosamente presente à experiência formadora do educando, transgride os princípios fundamentalmente éticos de nossa existência (p. 66). É importante que professores e alunos sejam curiosos, instigadores. "É preciso, indispensável mesmo, que o professor se ache repousado no saber de que a pedra fundamental é a curiosidade do ser humano" (p. 96). Faz-se necessário, portanto, que se proporcionem momentos para experiências, para buscas. O professor precisa estar disposto a ouvir, a dialogar, a fazer de suas aulas momentos de liberdade para falar, debater e ser aberto para compreender o querer de seus alunos. Para tanto, é preciso querer bem, gostar do trabalho e do educando. Não com um gostar ou um querer bem ingênuo, que permite atitudes erradas e não impõe limites, ou que sente pena da situação de menos experiente do aluno, ou ainda que deixa tudo como está que o tempo resolve, mas um querer bem pelo ser humano em desenvolvimento que está ao seu lado, a ponto de dedicar-se, de doar-se e de trocar experiências, e um gostar de aprender e de incentivar a aprendizagem, um sentir prazer em ver o aluno descobrindo o conhecimento. É digna de nota a capacidade que tem a experiência pedagógica para despertar, estimular e desenvolver em nós o gosto de querer bem e gosto da alegria sem a qual a prática educativa perde o sentido. É esta força misteriosa, às vezes chamada vocação, que explica a quase devoção com que a grande maioria do magistério nele permanece, apesar da imoralidade dos salários. E não apenas permanece, mas cumpre, como pode, seu dever (p. 161). Nessa obra, portanto, expondo os saberes que considera necessários à prática docente, Paulo Freire orienta ao mesmo tempo que incentiva os educadores e educadoras a refletirem sobre seus fazeres pedagógicos, modificando aquilo que acharem preciso, mas especialmente aperfeiçoando o trabalho, além de fazerem a cada dia a opção pelo melhor, não de forma ingênua, mas com certeza de que, se há tentativas, há esperanças e possibilidades de mudanças daquilo que em sua visão necessita mudar.

Uma das tarefas primordiais dos educadores é trabalhar com os educandos a rigorosidade metódica com que devem se aproximar dos objetos cognicíveis. Resgatar nos saberes cotidianos, ainda que vindos de curiosidade ingênua, o estímulo à capacidade criadora do educando. A superação da ingenuidade levando à criticidade segundo pensar correto de Freire demanda profundidade e superficialidade na compreensão e interpretação dos fatos. Quem pensa certo é quem busca seriamente a segurança na argumentação, e é o que discordando do seu oponente, não tem o porquê contrair uma raiva desmedida. Quem observa, o faz segundo um ponto de vista, mas não por isso situa o observador em erro, uma vez que o erro não está em ter um ponto de vista, mas absolutizá-lo e desconhecer que, mesmo do acerto do seu ponto de vista é possível que a razão ética nem sempre esteja com ele. O inacabamento do ser ou sua inconclusão é próprio da experiência vital, onde há vida, há inacabamento. A diferença entre um ser inacabado e o ser determinado é que o primeiro muito embora seja condicionado, tem consciência do inacabamento. O ser inacabado sabe que a passagem pelo mundo não é pré-determinada, pré-estabelecida, e o seu “destino” não é um dado mas algo que precisa ser feito e de sua própria responsabilidade.

Para ter segurança o professor deve estudar e preparar suas aulas, deve se esforçar para estar à altura de sua profissão. O esforço para atingir estas metas fornece a moral necessária para que o professor transpareça a segurança de seus conhecimentos e sua autoridade nos assuntos que vai ensinar. É ouvindo o aluno com paciência e criticamente que aprendemos a falar com ele. Aprendendo a escutar o educando, ouvindo suas dúvidas, em seus receios, em sua incompetência provisória, faz com que o docente aprenda a falar com ele. O bom professor deve ser curioso e deve provocar curiosidade. Esta curiosidade deve ser incentivada para que mantenha viva a chama do querer saber, do querer entender. Se esta troca não ocorrer, com o tempo o professor se verá diante de uma situação quase estática, paternalista da maneira de ensinar, que impedem o exercício livre da curiosidade. A curiosidade deve ser democrática. A curiosidade que silencia a outra se nega a si própria. A educação deve também servir de meio e forma para transformações sociais, mas deve-se ter consciência da sua indevida utilização como meio de reprodução de ideologias dominantes. Na opinião de Paulo Freire, não é possível ao bom professor ser um ser completamente apolítico, dado que estará expondo suas opiniões e ensinando muitos conceitos baseados em sua visão de mundo. Mas podem demonstrar que é possível mudar. E isto reforça nele ou nela a importância de sua tarefa político–pedagógica.

Esta abertura ao querer bem não significa que, como professor, obrigue a querer bem todos os alunos de maneira igual. Significa, de fato, que a afetividade não deve assustar o docente, que não deve ter medo de expressá-la. O professor deve descartar como falsa a separação radical entre seriedade docente e afetividade.

Nossa impressão geral do livro é que Paulo Freire escreve e discursa, acima de tudo, com amor pelo que faz. O autor vai lentamente introduzindo conceitos que se misturam e se complementam, às vezes de maneira sutil, e em outras ocasiões de maneira objetiva e absolutamente sincera. Uma das principais mensagens que o autor deixa nesta obra, ao nosso ver, é o significado do ensinar. É com a mais brilhante vocação que o autor nos mostra em simples palavras que ensinar é todo um processo de troca entre aluno e professor, onde ambos aprendem, ambos adquirem e sanam dúvidas, ambos crescem como seres humanos. É a mensagem de que para ensinar precisamos, antes de mais nada, ter a consciência da importância e da beleza desta tarefa, da importância de se poder fazer a diferença num sistema socio-econômico-político com certezas às vezes tão opressoras e cruéis àqueles que não dispõe de meios financeiros para obter cultura e informação. Enfim, o professor Paulo Freire nos dá uma aula de ensinar, e nos fornece com um pensamento livre e despojado uma grande inspiração: de que ensinar vale a pena.



Nunca copie integralmente trabalhos da internet. Use-os como fonte de referência para suas pesquisas

APARELHO AUDITIVO GRATUITO

Informem a quem necessite. Poderá ser de grande ajuda..

Não há procura por aparelhos para deficientes auditivos no CEMA, em São Paulo.

O CEMA - Hospital especializado em otorrinolaringologia - recebe aparelhos para deficiência auditiva pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e está ameaçado de perder a cota por falta de pacientes.

Se você conhece alguém que precisa do serviço, encaminhe para o CEMA.

A pessoa passará por uma avaliação clínica e receberá o aparelho gratuitamente.


CEMA - Hospital Especializado
Rua do Oratório, 1.369 - Moóca

São Paulo - SP

telefone: (11)2602-4000 (11)2602-4000

Rádio em Libras CBN

Divulgando...


Tecnica de Informática - PUC-SP

estudante do Curso Interprete de LIBRAS - UNIMEP

Intérprete de Libras voluntária da DERDIC/PUCSP
Site: www.tils.com.br

Mapeamento dos TILS: http://zapt.in/1hM

Blog: http://lmarreiro.blogspot.com

Sigam: www.twitter.com/etils

Canal Youtube: www.youtube.com/canaltilsVejam que maravilha!
Toda semana os Surdos poderão acompanhar as notícias pela internet:

http://cbn.globoradio.globo.com/vezdavoz/home.htm
Com a qualidade CBN.


Divulguem, divulgem!

Iniciativa da incansável colega Cláudia Cotes – Vez da Voz.

Vejam abaixo:

O programa chama-se Cidade Inclusiva SP e é feito pelo Cid Torquato.

Semana que vem faremos também o Cidade Inclusiva RJ.

Toda semana, os surdos poderão acompanhar os conteúdos destes 2 programas, pela Internet.

Pretendemos em pouco tempo, termos condições de ampliar as opções, com conteúdo de qualidade, como o surdo merece!

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RECEBI ESSE MATERIAL SOBRE A COLOCAÇÃO DE TELEFONES PARA SURDOS (GRATUITAMENTE). SE HOUVER INTERESSE PODEMOS SOLICITAR O SERVIÇO

--- Em qua, 23/6/10, Surdos escreveu:

Olá, este é um trabalho voluntário.

Os telefones adaptados para portadores de deficiência auditiva e de fala são um direito legal estabelecido pelo decreto 4.769 de 27 de junho de 2003.
Este decreto obriga a companhia de telefonia que opera no local, no caso a Telefonica, a instalar, quando solicitado, o aparelho telefônico adaptado para surdos, num período máximo de 7 dias (art. 10), a partir da entrega na comapnhia de telefonia local.
O aparelho e a instalação são gratuítos. O uso é através do próprio tefone público, sendo o custo da chanada (cartão telefônico) por conta do usuário.
A escola que não tiver telefone público (orelhão) a Telefonica instala, sem custos. Para poder instalar o telefone adaptado só é preciso de um ponto de energia elétrica ao lado do orelhão para ligar o aparelho para, em local protegido.
A solicitaçào é feita por um formulário sem custo algum.

O procedimento sugerido, caso a Diretoria opte por solicitar, é o seguinte
A Diretoria relaciona todas as escolas, endereço completo, CEP , telefone e cidade, que podem ter ou não alunos ou funcionários deficientes auditivos ou de fala, o formulário é preenchido por nós e o(a) Dirigente assina a solicitação, fica com uma via de cada solicitação, uma por escola, e encaminha uma cópia para a direção da escola.
A Diretoria pode solicitar um telefone adaptado para ser instalado na própria Diretoria.
Nós entregamos o formulário à Telefonica e fazemos o acompanhamento até a instalação.
Este é um importante serviço de inclusão de portadores de necessidades especiais e que, caso a Diretoria assim entenda, poderá atender aos portadores de deficiência auditiva ou de falado entorno da escola e da Escola da Família.